As Terras Indígenas Kayapó e Menkragnoti conservam uma paisagem de alta riqueza e biodiversidade, com ambientes que permeiam florestas (Floresta Amazônica), savanas (Cerrados Amazônicos), rios e cachoeiras. Diante de toda essa riqueza, nosso território vem sofrendo a décadas diversas ameaças com a chegada de invasores, madeireiros, garimpeiros (exploração de ouro), posseiros e instalação de hidrelétricas. O que torna ainda mais necessária à defesa e atenção constante quanto à segurança e integridade do nosso território, defendendo e lutando contra as ameaças que sofremos em nosso território, sendo que a TI Kayapó foi demarcada oficialmente desde outubro de 1991 – homologada pelo Decreto Presidencial NR 316 com uma extensão territorial de mais de 3 mihões de hectares e a TI Menkragnoti foi homologada em agosto de 1993 – com extensão territorial total (considerando os demais estados que ela ocupa: Mato Grosso e Pará) de quase 5 milhões de hectares.
Estamos comprometidos em trabalhar com estruturas de governança local e com autonomia criando novos caminhos e respostas fortes às principais ameaças que prejudiquem nosso território e consequentemente nosso povo, como: desmatamento (Ex: posseiros, madeireiros, garimpeiros, queimadas, etc.), exploração mineral (Ex: garimpo de ouro), mudanças climáticas (queimadas), caça e pesca ilegal, contaminação e poluição local. Nossas terras também são ameaçadas por pontos de inflexão estimulados pelo marketing do “desenvolvimento econômico”, através da degradação das paisagens de florestas e savanas na nossa região, incluindo o desenvolvimento agroindustrial em larga escala e grandes empreendimentos governamentais e não governamentais de exploração mineral (Vale do Rio Doce) e de geração de energia (Ex: Hidrelétrica de Belo Monte). O ponto focal da associação, no que tange a principal ameaça em nosso território neste momento é a mineração ilegal de ouro (pequena e grande escala), a ameaça mais antiga, mas frequente e insidiosa, constantemente, à nossa terra, àgua e ao nosso povo.
Para isso, em 2019, assistindo o crescimento do garimpo ilegal no nosso território, solicitamos aos nossos amigos e parceiros uma reunião, a fim de buscarmos estratégias de garantir a proteção e a conservação dos recursos, tão importantes para a nossa sobrevivência. No mesmo ano, financiado pela Sigrid Rausing Trust Foundation e com a participação e apoio da empresa Habitat Geo (Consultoria Ambiental, Geoprocessamento, etc.) e da Universidade Pública Purdue dos Estados Unidos, realizamos o “I Encontro de Discussão e Reflexões sobre a Mineração e os avanços na Terra Indígena Kayapó-Mebengokrê”, para falar sobre essa ameaça e discutir estratégias para reforçar nossa estrutura de monitoramento territorial, de governança e agir contra aqueles que insistem em derrubar nossa floresta e explorar nossos recursos. Durante a reunião foi realizada uma oficina de Capacitação em Cartografia e Utilização de GPS em que criamos um grupo de indígenas agentes do monitoramento; assistimos palestras sobre o que é de fato a mineração, seus benefícios e malefícios e entendemos melhor a contaminação por metais pesados que são provenientes do garimpo ilegal, recebemos uma cartilha para sempre lembrarmos de que foi colocado durante este momento e mostrarmos aos demais moradores que não estiveram presentes. Encaminhamos a organização de uma longa expedição dentro do nosso território como forma de monitorar nossa área e limites de fronteira, bem como a realização de uma próxima oficina para aprendermos a utilizar o DRONE uma ótima ferramenta para protegermos o nosso Território.
Durante anos lutamos pela conquista dos nossos territórios e agora RE-EXISTIMOS pela sua preservação. Para isso, alinhamos a nossa luta às tecnologias atuais, como estratégia de garantir a proteção do nosso PYKA - território, nosso Bá - Floresta e nosso Ngo - Água. Apoie a nossa luta, entrando em contato conosco!