Nossa Projeto
O presente projeto, visa promover o resgate de tradições da cultura indígena Kayapó, por meio da realização de festas e o registro das mesmas. Serão realizadas 2 festas: Menire biók e Memy biók, em 1 aldeias no Território Indígena Kayapó Menkragnoti , e 2 aldeia no Território Indígena TI Kayapó. A'Ukre, Kendjam e Pykararãnkre - que convidarão aldeias próximas a elas para participarem das festas, atingindo um público de 4.000 IndÍgenas.
Além da realização das festas, o projeto prevê o registro fotográfico e audiovisual das ações do projeto, para que as fotos e os vídeos possam ser utilizados como ferramentas de transmissão de saberes entre os povos indígenas, principalmente para crianças e jovens, e disponibilização para a população em geral, como forma de promoção da cultura indígena no país.
Média-metragem Gênero: Documentário Duração: 70 minutos
Menire biók
e Memy biók
A'Ukre,
Kendjam
e Pykararãnkre
Festa Memy Biok
O projeto “Festas Kayapó” tem como destaque a festa ancestral Memy Biok , uma cerimônia profundamente enraizada na cultura e tradição do povo Kayapó. Esta celebração é muito mais do que um simples evento festivo; ela representa um rito de passagem que conecta as gerações, uma verdadeira expressão da alma Kayapó. Durante a Memy Biok , os meninos recebem seus nomes indígenas das mãos amorosas de suas avós, um gesto que simboliza o elo entre o passado e o futuro, entre os ancestrais e as gerações que estão por vir. Desde o dia 26 de maio de 2024, as celebrações da Memy Biok foram iluminadas nas aldeias Kendjam , A'ukre e Pykararãnkre , no Território Indígena Kayapó. Para começar a festa, os guerreiros partem em uma jornada de quatro dias na floresta, caçando e pescando. Este período é fundamental para a festa, pois é um momento de conexão dos homens com a natureza e com os espíritos dos ancestrais.
Quando retornam à aldeia, são recebidos com muita emoção. As mulheres, ao verem os frutos do esforço dos guerreiros, expressam sua gratidão com cânticos e lágrimas de alegria, em um dos momentos mais emocionantes da celebração. Após a chegada dos caçadores, os alimentos são divididos entre as famílias e preparados para o banquete que marca o início oficial das celebrações. Durante seis dias, a aldeia se transforma em um espaço de intensa partilha cultural. As danças tradicionais e as pinturas corporais embelezam a festa. A preparação para a festa continua após a caçada ao amanhecer, quando as mulheres da aldeia entram em cânticos poderosos que ressoam por toda a comunidade. Esse ritual desperta todos os membros da aldeia, sinalizando que o dia da celebração começou.
Um dos momentos centrais é a escolha do “ dono da festa ”, uma figura de grande responsabilidade. O dono da festa é encarregado de cada detalhe: desde a preparação dos alimentos até a organização das danças, cantos e outras atividades tradicionais. Ele se levanta antes do sol, demonstrando seu compromisso com as tradições. Cada detalhe da preparação é carregado de simbolismo. A prática de cortar os cabelos, raspar as sobrancelhas e aplicar pinturas corporais é uma renovação espiritual, representando o início de um novo ciclo.
Festa da Menire Biok
O projeto "Festas Kayapó – Realização e Registro" é uma iniciativa emocionante de preservação cultural, conduzida pela Associação Indígena Pykôre e patrocinada pelo Instituto Cultural Vale. Com a missão de promover e registrar as tradições Kayapó, o projeto realiza celebrações nas aldeias Kendjan, A'Ukre e Pykararankre. Recentemente, a aldeia A'Ukre foi palco da festa Menire Biok, um ritual que marca a transição das meninas Kayapó para a vida adulta, resgatando e celebrando uma tradição que há muito tempo não era realizada.
Desde o início dos preparativos, o cuidado e a dedicação das mulheres Kayapó foram essenciais. Além de suas ações diárias e do cuidado com os filhos, elas assumiram com zelo a organização da festa, dedicando-se a todas as etapas que fazem esse evento um marco especial na comunidade. No primeiro dia, as mulheres coletaram folhas de bananeira, lenha e pedras, que seriam usadas para preparar o berarubu, um tipo de beiju recheado que é parte essencial das comemorações. Paralelamente, os homens da aldeia partiam para caçar e pescar, enquanto as mulheres preparavam a mandioca e outros ingredientes necessários. No segundo dia, sem pinturas ou adornos, as mulheres ensaiaram suas danças, movendo-se em harmonia como uma preparação espiritual para os dias que viriam. Esse ensaio, realizado com seriedade e respeito, antecipa as festividades e dá início ao clima de celebração que contará à aldeia.
O terceiro dia é dedicado às transformações visuais e espirituais das meninas. As mulheres da comunidade começam a aplicar as pinturas corporais tradicionais e fazer o corte de cabelo e a raspagem das sobrancelhas das meninas, simbolizando a passagem para uma nova fase da vida. A aldeia se enche de cor, com as mulheres enfeitadas para as danças e músicas que completam as celebrações. No quarto e último dia, o momento mais aguardado: o batizado. Cada menina é preparada com uma cola natural extraída da seringueira, aplicada no corpo e no rosto. As avós, em um gesto simbólico e de profunda conexão, colam penas de periquitos nas meninas e as adornam com colares, cocares, brincos, pulseiras e pulseiras de urucu, honrando a tradição e a ancestralidade Kayapó. Nesse processo, é comum ver as avós emocionadas, algumas em lágrimas, enquanto admitem o nome tradicional às netas. Esse nome carrega não apenas a identidade individual, mas o legado de gerações.